Todos fazemos parte de algum conjunto, algum meio do qual, para sermos parte integrante, necessitamos de alguns itens, alguns acessórios que nos “carimbem” como parte, isso tipo um crachá.
A galera com um pouco mais de dinheiro, ou acha que tem, costuma curtir Raves, e neste meio para que possas fazer parte é bom saber alguns nomes de DJS Israelenses, tomar algum tipo de droga de ingestão oral ou fingir que toma, (sim muita gente finge que tá fritando, quando na verdade estão apenas cozinhando você), e de praxe, óculos escuros, tattoos, bota ortopédica, malabares psicodélicos e claro, jeito nenhum para dançar. Se você souber dançar bem, nunca daria certo nesse meio, pois se destacaria demais, o propósito entre eles é se destacar pelo melhor malabarista, corpo sarado ou ambos.
Mas o que mais me intriga é que no meio da galera pobre existem vertentes, e em todas elas é necessário um investimento considerado até um pouco alto para as posses dos mesmos, e o mais engraçado, em itens COMPLETAMENTE DESNECESSÁRIOS, para eles obviamente.
Entre os pobres, nós temos o grupo dos funkeiros, dos pagodeiros, dos sambistas, (sim é diferente), dos que se acham da zona sul, e os perdidos em uma interseção entre esses conjuntos.
Funkeiros – De primeira, é necessário que você seja um Homem subnutrido aparentemente e principalmente bom conhecedor de armas de grosso calibre, nomes de facções, bandidos famosos, traficantes chefes, gostar de cheiro de kolene, e ter ido ao menos em um baile em favela, mesmo que seja no Castelo das Pedras.
Investimento: Camisa de clubes, principalmente internacionais, usar bastante a marca Nike, ostentando ao máximo a sua condição de furtar e escambo, boné esportivo, e tênis normalmente maiores que seus pés que façam algum barulho como click, cleck, pucpucpuc, ou simplesmente tenham algum atrativo como luzes, strubbles, ter um celular caro que seja de ultima geração, não importa a procedência e a utilidade(ou seja, não precisa funcionar)
Pagodeiros – Esses são bem engraçados, com seus gestos derivados do original “joínha”, eles criam coreografias, trejeitos, passinhos e até gírias. De primeira é necessário que você sorria o tempo todo, tenha um grupo com algum nome composto que faça alusão de amor, sexo e samba. Tenha algo que chame MUITA atenção em você, como por exemplo um cabelo muito ridículo, algum acessório, tattoo estranha, ou simplesmente se vista como um por completo. Não esqueça de sempre procurar sua loira oxigenada.
Investimento: Cordões, pulseiras e anéis de ouro amarelo, ou similares como folheados, banhados, pintados, etc. Roupas de grife que sejam muito chamativas e apertadinhas, ou genéricos da uruguaiana, tênis nike shox é de praxe, um pagodeiro que se preze não pode deixar de ter um. E o acessório mais prezado entre o meio, o nextel. Aparelho este que é mais que apenas um telefone/rádio, é um amigo. Ele influencia em todo um comportamento, pois quem tem faz questão de mostrar, usar, falar, gritar, levantar o braço, fazer barulho, balançar e usar como auxiliar na hora do sexo. (me disseram).
Sambistas – Estes são pagodeiros com complexo de superioridade. Acham que o samba é melhor que o pagode assim como seus freqüentadores e seguidores. Gostam de falar com saudosismo, de coisas que aconteceram e nem tem certeza, de cantores que existiram e nem conhecem. Suas camisas de botões aberta, jeito a lá malandro, gestos comedidos porém muito parecidos com os dos pagodeiros, mas só bebem Brahma e gostam de mulatas, principalmente as com aparência de passista e vulgar.
Investimento: Cordões de ouro com pingentes de Santos Católicos ou Cordões de macumba, camisa de linho ou linha, dependendo da sua grana, sim nextel ÓBVIO, fale bastante, e muitas garrafas de cerveja na mesa, para mostrar.
Menino Zonasul – Figuraças, imitam tudo que os mauricinhos “originais” usam, mas obviamente em proporções paraguaias. Postura de quem faz faculdade e Pais bancam tudo, porém são trabalhadores normalmente de serviços gerais ou auxiliar de alguma coisa, tratam os amigos da Zona Sul “Originais” como se fossem ídolos, procuram sempre tentar participar de algum evento na região, mas nem sempre tem condições de arcar com as despesas da consumação e ou entrada. Quando saem com seus amigos de “origem”, tratam como se fosse melhores que eles, contando histórias e vantagens inexistentes. Se acham bom demais para as meninas locais, e se diminuem perante as patricinhas.
Investimento: Camisas pólo e básicas de grifes 99% das vezes falsificadas, porém muito mais discretas que as dos pagodeiros. Jóias caras não fazem parte, porém o básico é um cordão de prata.
Lost ones – Sem saber em que direção ir, eles vão a qualquer lugar, usam qualquer coisa, e acabam sem identidade. Usam de cada um, um pouco, estão prontos para qualquer parada, balada, buraco e afins. Dançam o que tocar, bebem o que vier, e não dispensam uma boa gíria para se sentirem parte do grupo. São aqueles que normalmente no final da noitada, estão até o chão ao som de funk, puxando mulheres ao som de samba, ou tentando se esfregar em alguém ao som de forró. Não tem vergonha alguma de pedir pra ir junto, em festas que realmente não foi convidado por ser inconveniente. Chegam na mulher dos outros, depois nas gatas, nas feias, nas gordas, na faxineira, na tia do cachorroquente, e só param as tentativas quando dormem.
Investimento: Nenhum, normalmente usam presentes, roupas emprestadas, bebida filada, enfim o verdadeiro
bom vivant.